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quinta-feira, 10 de março de 2016

Verdade verdadeira, viva LULA!




Pepe Escobar:
A luta é de vida ou morte; porque Lula é Brics


"Brics" é a sigla mais amaldiçoada no eixo Avenida Beltway [onde ficam várias instituições do governo dos EUA em Washington]-Wall Street, e por razão de peso: a consolidação do Brics é o único projeto orgânico, de alcance global, com potencial para afrouxar a garra que o Excepcionalistão mantém apertada no pescoço da chamada "comunidade internacional".

Pepe Escobar*, no Russia Today

 Primeira cúpula em Ecaterimburgo, na Rússia: Lula (Brasil), Medviedev (Rússia), Hu Jin Tao (China) e Manmohan Singh (Índia), no encontro realizado em junho de 2009

Assim sendo, não é surpresa que as três potências chaves do Brics estejam sendo atacadas simultaneamente, em várias frentes, já faz algum tempo. Contra a Rússia, a questão é a Ucrânia e a Síria, a guerra do preço do petróleo, o ataque furioso contra o rublo e a demonização ininterrupta da tal "agressão russa". Contra a China, a coisa é uma dita "agressão chinesa" no Mar do Sul da China e o (fracassado) ataque às Bolsas de Xangai/Shenzhen.

O Brasil é o elo mais fraco dessas três potências emergências crucialmente importantes. Já no final de 2014 era visível que os suspeitos de sempre fariam qualquer coisa para desestabilizar a sétima maior economia do mundo, visando a uma boa velha 'mudança de regime'. Para tanto criaram um coquetel político-conceitual tóxico ("ingovernabilidade"), a ser usado para jogar de cara na lama toda a economia brasileira.

Há incontáveis razões para o golpe, dentre elas: a consolidação do Banco de Desenvolvimento do Brics; o impulso concertado entre os países Brics para negociarem nas respectivas moedas, deixando de lado o dólar norte-americano e visando a construir outra moeda global de reserva que tome o lugar do dólar; a construção de um cabo submarino gigante de telecomunicações por fibra ótica que conecta Brasil e Europa, além do cabo Brics, que une a América do Sul ao Leste da Ásia – ambos fora de qualquer controle pelos EUA.

E acima de tudo, como sempre, o desejo pervertido obcecado do Excepcionalistão: privatizar a imensa riqueza natural do Brasil. Mais uma vez, é o petróleo.

Peguem esse Lula, ou...

WikiLeaks já expôs há muito tempo, em 2009, o quanto o Big Oil estava ativo no Brasil, tentando modificar, servindo-se de todos os meios de extorsão, uma lei proposta pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido também como Lula, que estabelece que a estatal Petrobrás (lucrativa) será a única operadora de todas as bacias de petróleo no mar, da mais importante descoberta de petróleo desse jovem século 21: as reservas de petróleo do pré-sal.

Lula não só deixou à distância o Big Oil – especialmente ExxonMobil e Chevron –, mas também abriu a exploração do petróleo no Brasil à Sinopec chinesa – parte da parceria estratégica Brasil-China (Brics dentro de Brics).

O inferno não conhece fúria maior que a do Excepcionalistão descartado. Como a Máfia, o Excepcionalistão nunca esquece; mais dia menos dia Lula teria de pagar, como Putin tem de pagar por ter-se livrado dos oligarcas cleptocratas amigos dos EUA.

A bola começou a rolar quando Edward Snowden revelou que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (ing. NSA) andava espionando a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, e vários altos funcionários da Petrobrás. Continuou com o fato de que a Polícia Federal do Brasil coopera, recebe treinamento e/ou são controladas de perto por ambos, o FBI e a CIA (sobretudo na esfera do antiterrorismo). E prosseguiu via os dois anos de investigações da Operação Lava Jato, que revelou vasta rede de corrupção que envolve atores dentro da Petrobrás, as maiores empresas construtoras brasileiras e políticos do partido governante Partido dos Trabalhadores.

A rede de corrupção parece ser real – mas com "provas" quase sempre exclusivamente orais, sem nenhum tipo de comprovação documental, e obtidas de trapaceiros conhecidos e/ou neomentirosos seriais que acusam qualquer um de qualquer coisa em troca de redução na própria pena.

Mas para os Procuradores encarregados da Operação Lava Jato, o verdadeiro negócio sempre foi, desde o início, como envolver Lula em fosse o que fosse.

Entra o neo-Elliott Ness tropical

Chega-se assim à encenação espetacularizada, à moda Hollywood, na 6ª-feira passada em São Paulo, que disparou ondas de choque por todo o planeta. Lula "detido", interrogado, humilhado em público (comentei esses eventos em"Terremoto no Brasil").

O Plano A na blitz à moda Hollywood contra Lula era ambicioso movimento para subir as apostas; não só se pavimentaria o caminho para o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (que seria declarada "culpada por associação"), como, também, já se neutralizaria Lula, impedindo-o de candidatar-se à presidência em 2018. E não havia Plano B.

Como não seria difícil prever que aconteceria – e acontece muito nas 'montagens' do FBI – toda a 'operação' saiu pela culatra.

Lula, em discurso-aula, master class em matéria de discurso político, reproduzido ao vivo por todo o país pela internet, não só se consagrou como mártir de uma conspiração ignóbil, mas, mais que isso, energizou suas tropas de massa. Até respeitáveis vozes conservadoras condenaram o show à moda Hollywood, de um ministro da Suprema Corte a um ex-ministro da Justiça, que serviu a governo anterior aos do Partido dos Trabalhadores, além do conhecido professor e economista Bresser Pereira (um dos fundadores do PSDB, que nasceu como partido da social-democracia do Brasil, mas virou a casaca e é hoje defensor das políticas neoliberais do Excepcionalistão e lidera a oposição de direita).

Bresser disse claramente que a Suprema Corte deveria intervir na Operação Lava Jato para impedir novos abusos. Os advogados de Lula, por sua vez, requereram à Suprema Corte que detalhasse a jurisprudência que embasaria as acusações assacadas contra Lula. Mais que isso, um advogado que teve papel de destaque na blitz hollywoodiana disse que Lula respondeu a tudo que lhe foi perguntado durante o interrogatório de quase quatro horas, sem piscar – eram as mesmas perguntas que já lhe haviam sido feitas antes.

O professor e advogado Celso Bandeira de Mello, por sua vez, foi diretamente ao ponto: as classes médias altas no Brasil – nas quais se reúnem quantidades estupefacientes de arrogância, ignorância e preconceito, e cujo maior sonho de toda uma vida é alcançar um apartamento em Miami – estão apavoradas, mortas de medo de que Lula volte a concorrer à presidência – e vença – em 2018.

E isso nos leva afinal ao juiz mandante e carrasco executor de toda a cena: Sergio Moro, protagonista de "Operação Lava Jato".

Ninguém em sã consciência dirá que Moro teve carreira acadêmica da qual alguém se orgulharia. Não é de modo nenhum teoricista peso pesado. Formou-se advogado em 1995 numa universidade medíocre de um dos estados do sul do Brasil e fez algumas viagens aos EUA, uma das quais paga pelo Departamento de Estado, para aprender sobre lavagem de dinheiro.

Como já comentei, a chef-d’oeuvre da produção intelectual de Moro é artigo antigo, de 2004, publicado numa revista obscura, nos idos de 2004 ("Considerações sobre Mãos Limpas", revista CEJ, n. 26, julho-Set. 2004), no qual claramente prega a "subversão autoritária da ordem judicial para alcançar alvos específicos" e o uso dos veículos de mídia para envenenar a atmosfera política.

Quer dizer, o juiz Moro literalmente transpôs a famosa operação da Justiça italiana de 1990 Mani Pulite ("Mãos Limpas") da Itália para o seu próprio gabinete – e pôs-se a instrumentalizar os veículos da grande mídia brasileira e o próprio judiciário, para alcançar uma espécie de "deslegitimação total" do sistema político. Mas não quer deslegitimar todo o sistema político: só quer deslegitimar o Partido dos Trabalhadores, como se as elites que povoam todo o espectro da direita no Brasil fossem querubins.

Assim sendo, não surpreende que Moro tenha contado com a companhia solidária, enquanto se desenrolava a Operação Lava Jato, do oligopólio midiático da família Marinho – o império midiático O Globo –, verdadeiro ninho de reacionários, nenhum deles particularmente inteligente, que mantiveram íntimas relações com a ditadura militar que, no Brasil, durou mais de 20 anos.

Não por acaso, o grupo Globo foi informado sobre a "prisão" hollywoodiana que Moro aplicaria ao presidente Lula antes de a operação começar, e pode providenciar cobertura que efetivamente tudo encobriu, ao estilo CNN.

Moro é visto por muitos no Brasil como um sub Elliot Ness nativo. Advogados que têm acompanhado o trabalho dele dizem que o homem cultiva a imagem de que o Partido dos Trabalhadores seria uma gangue que viveria a sanguessugar o aparelho do Estado, com vistas a entregar tudo, em cacos, aos 'sindicatos'.

Segundo um desses advogados, que falou com a mídia independente no Brasil, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Moro é cercado por um punhado de Procuradores fanáticos, com pouco ou nenhum saber jurídico, que fazem pose de Antonio di Pietro (mas sem a solidez do Procurador milanês que trabalhou na Operação Mãos Limpas).

Ainda pior, Moro não dá sinais de preocupar-se com a evidência de que depois que o sistema político italiano implodiu, ali só prosperaram os Berlusconi. No Brasil, certamente se veria a ascensão ao poder de algum palhaço/idiota de bairro, elevado ao trono pela Rede Globo – cujas práticas oligopolistas já são bastante berlusconianas.

Pinochets digitais

Pode-se dizer que a blitz à moda Hollywood contra Lula guarda semelhanças diretas com a primeira tentativa de golpe de Estado no Chile, em 1973, que testou as águas em termos de resposta popular, antes do golpe real. No remix brasileiro, jornalistas globais fazem as vezes de Pinochets digitais. Mas as ruas em São Paulo já mostram graffiti que dizem "Não vai ter golpe" e "Golpe militar – nunca mais."

Sim, porque tudo, nesse episódio tem a ver com um golpe branco – sob a forma de impeachment da presidenta Rousseff e com Lula atrás das grades. Mas velhos vícios (militares) são duros de matar: vários jornalistas próximos da Rede Globo e ativos agora na Internet já 'conclamaram' os militares a tomar as ruas e "neutralizar" as milícias populares. E isso é só o começo. A direita brasileira está organizando manifestações para o próximo domingo, exigindo – e o que mais exigiriam? – o impeachment da presidenta.

A Operação Lava Jato teve o mérito de investigar a corrupção, a colusão e o tráfico de influência no Brasil, país no qual tradicionalmente a corrupção corre solta. Mas todos, todos os políticos e todos os partidos políticos teriam de ser investigados – inclusive e sobretudo – porque em todos os casos esses são corruptos conhecidos há muito tempo! – os representantes das elites comprador brasileiras. A Operação Lava Jato não opera igualmente contra todos. Porque o projeto político aliado aos Procuradores do juiz Moro absolutamente não está interessado em fazer "justiça"; a única coisa que interessa a eles é perpetuar uma crise política viciosa, como meio para fazer fracassar a 7ª maior economia do mundo, para, com isso, alcançarem seu Santo Graal: ou aquela velha suja 'mudança de regime', ou algum golpe branco.

Mas 2016 não é 1973. Hoje já se sabe quem, no mundo, é doido por golpes para mudar regimes.

*Jornalista brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Sputnik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Rede Voltaire e outros; é correspondente/articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

quinta-feira, 3 de março de 2016

Aviões brasileiros no topo



Embraer investe R$ 6,8 bilhões e lança nova família de jatos comerciais

00:43 27.02.2016(atualizado 13:49 29.02.2016) URL curta
A Embraer acaba de apresentar a sua nova família de jatos comerciais, a série E190-E2. São três diferentes modelos, com capacidade variando entre 86 e 134 passageiros.
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Apresentados em forma de protótipos, os novos aviões representam um investimento da ordem de R$ 6,8 bilhões e, segundo a empresa, são a sua nova aposta para manter a liderança mundial no mercado da aviação regional.

Ainda de acordo com a Embraer, o modelo mais caro desta nova família de jatos custará 260 milhões de reais, e o primeiro deles chegará ao mercado em 2018. No catálogo de vendas da empresa, há 267 aeronaves encomendadas e já vendidas.

Ao apresentar os novos modelos, o presidente da Embraer Aviação Comercial, Paulo César de Souza e Silva, declarou que a empresa está investindo em tecnologia avançada, driblando a crise. “O que nos fortalece é esse relacionamento de entender o que o mercado precisa. Investimos em uma família mais econômica, com motor mais eficiente e com custo de reparo menor.”

 © AFP 2016/ FABRICE COFFRINI

A Embraer também informou que entre as principais mudanças dos modelos E190-E2 em relação à primeira família de jatos comerciais estão nas asas e no motor. A empresa disse ainda que “as novas tecnologias e sistemas na cabine de comando tornaram o avião mais seguro” e que as aeronaves vão gastar 16% menos combustível do que as versões anteriores.

Sobre os novos aviões da Embraer, o piloto civil e militar Milian Heymann, comandante de voos nacionais e internacionais e piloto de testes da Embraer na década de 1980, disse à Sputnik Brasil que “a empresa produz modelos absolutamente seguros e a sua preocupação é sempre com a inovação e a segurança dos seus aviões”.

“Eu gosto muito dos aviões da Embraer”, conta o Comandante Heymann. “A tecnologia que ela sempre busca aperfeiçoar é um plus na indústria aeronáutica, tanto que a Embraer é a terceira indústria montadora de aeronaves no mundo.”

 © AFP 2016/ NOAH SEELAM

Milian Heymann diz ainda que “o segredo do desempenho de um avião é a asa. Principalmente em um jato, ela tem que acomodar duas características, o voo em baixa velocidade, na decolagem e no pouso, e em alta velocidade, o voo de cruzeiro. Desenhando bem a asa, provavelmente se terá um avião de sucesso, o que parece que foi feito nesse E190-E2, um avião totalmente novo, com novos avionics, com asas redesenhadas, com acomodação interna totalmente nova, futurística. É uma aeronave que provavelmente não vai ter concorrente nessa faixa”.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Zika Virus e Brasil



Especialista sobre o zika vírus: ‘Não devemos falar em pânico, mas em precaução’


 A médica chinesa Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), está no Brasil. A convite do Governo brasileiro, veio se inteirar das iniciativas adotadas no país para o combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus. Médico recomenda precaução mas sem pânico.






Margaret Chan, que esteve em Brasília, Pernambuco (o Estado mais atingido pelos casos de microcefalia, supostamente causados pelo zika vírus) e Rio de Janeiro, não poupou elogios, afirmando jamais haver visto tamanha determinação num Governo para o combate ao mosquito transmissor de tantas doenças.



O médico Antônio Braga, professor de Obstetrícia das Faculdades de Medicina das Universidades Federal Fluminense e Federal do Rio de Janeiro, endossa as palavras da diretora da OMS e diz que o Brasil está obtendo grandes avanços nas pesquisas para o tratamento das doenças e transtornos causados pelo zika vírus.

“Desde a implementação do SUS – Sistema Único de Saúde, a área de vigilância e controle de endemias e epidemias, de grandes surtos e doenças de notificação, tem propiciado ao Brasil forte e interessantes indicadores que permitem modular as políticas de saúde pública em nosso país”, afirma o Dr. Braga. “Não seria de outra forma que relatos surgidos no Nordeste, mais especificamente no Estado de Pernambuco, permitiram que um alerta nacional fosse emitido a fim de que se monitorassem os casos de recém-nascidos com microcefalia e se aprofundasse a discussão acerca da relação entre a infecção do zika vírus na gravidez e o surgimento de conceptos com malformações neonatais.”

 © AFP 2016/ Ernesto Benavides

Sobre a questão de o zika vírus estar provocando pânico na população, Antônio Braga diz que “é importante salientar que não devemos falar em pânico, mas em precaução. Parece muito lógico que as mulheres grávidas queiram se prevenir da picada do mosquito Aedes Aegypti, não apenas para evitar a já conhecida infecção da dengue, que muito mal causa às grávidas, mas também a febre chikungunya e agora a questão do zika vírus”.

Segundo o médico Antônio Braga, é importante que haja essa prevenção, e “o uso de repelentes é uma ferramenta da maior importância nessa estratégia”.
“É claro que, como vivemos numa economia de mercado, certamente aproveitadores sem sensibilidade social estão inflacionando o preço dos repelentes, fazendo com que haja até um mercado especulativo e que não se restringe apenas às farmácias. Hoje existem até negociações online de grandes grupos de venda pela internet, que especulam e aumentam muitas vezes o preço desses produtos.”

O Dr. Antônio Braga adverte, também, para o surgimento de produtos caseiros ou de formulações ditas “piratas” que não têm selo nem de qualidade nem de eficácia, sendo popularmente recomendados pela internet e que muitas vezes não conferem a proteção indicada. “Alguns desses produtos sem o menor controle podem, inclusive, carrear substâncias tóxicas que prejudiquem não apenas as gestantes como também os seus fetos.”