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quinta-feira, 3 de junho de 2021

Rússia ira construir 20 novas bases aéreas para enfrentar OTAN .

 Putin anuncia 20 novas bases militares para enfrentar forças da Otan


Putin anuncia 20 novas bases militares para enfrentar forças da Otan


A medida vem de encontro à crescente tensão entre o Kremlin e o Ocidente

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A duas semanas do encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Joe Biden, a Rússia anunciou que irá construir 20 novas bases militares perto de suas fronteiras europeias, visando conter o que chama de crescente ameaça da Otan (aliança militar liderada pelos EUA). 

A medida vem de encontro à crescente tensão entre o Kremlin e o Ocidente, que tem um novo capítulo no apoio dado por Putin ao belarusso Aleksandr Lukachenko, seu aliado.

Na semana passada, o ditador forçou o pouso de um avião civil irlandês em Minsk e prendeu um jornalista crítico ao regime que estava na aeronave, junto com sua namorada.

A ação foi um ponto alto na repressão aplicada por Lukachenko desde os protestos que irromperam no país após mais uma eleição ganha de forma suspeita por ele, no poder desde 1994, em agosto passado.

A União Europeia anunciou sanções a Belarus e Putin, após um suspense de uma semana, encontrou-se com ele na sexta (28).

Subjacente ao movimento do russo está o desejo de consolidar seu controle sobre o vizinho, talvez absorvendo-o dentro de um planejado Estado unitário em fermentação desde 1999.

Com isso, estaria estabelecida de vez um tampão estratégico entre a Europa e a Rússia. A Ucrânia cumpre esse papel de forma precária desde que Putin amputou a Crimeia, de resto uma região russa étnica, e a trouxe para seu controle após perder um governo aliado em Kiev em 2014.

O plano foi exposto sem muitos detalhes pelo ministro Serguei Choigu (Defesa) em encontro com líderes militares na segunda-feira.

Ele afirmou que a Otan tem aumentado significativamente o número de voos hostis e envios de navios de guerra para suas fronteiras. Apontou para os crescentes exercícios militares –só na semana passada, milhares de soldados da Otan treinaram em todo o continente.

As ações, disse segundo a imprensa russa, "destroem o sistema de segurança internacional e nos forçam a tomar as contramedidas relevantes". "Vamos formar 20 novas unidades no Distrito Militar Oeste até o fim do ano", afirmou.

Baseado em São Petersburgo, o distrito se soma ao Sul com as duas unidades mais importantes de defesa terrestre russas. Ele cobre a fronteira da Finlândia à Ucrânia, quando passa o bastão para o Sul, que vai até o Cáucaso e inclui a Crimeia.

Somadas, as regiões têm seis exércitos, cada um com cerca de 100 mil homens ou mais. O resto do maior país do mundo, coberto por outros três distritos, soma outros seis exércitos e um comando aeronaval conjunto ao norte.

Choigu não disse quantos homens seriam enviados para a região, apenas citando que cerca de 2.000 equipamentos militares estariam envolvidos.

A região já viu bastante ação neste ano. Putin deu uma demonstração de força a fazer um aumento dramático, talvez de 100 mil homens, em toda região oeste e sul para um exercício de três semanas que visava dissuadir a Ucrânia de tentar invadir as áreas rebeldes pró-Rússia no leste do país.

O impasse permanece e o russo mostrou os dentes, mas as forças foram retiradas –deixando para trás boa parte dos blindados e tanques, que serão usados no megaexercício anual das forças russas, que pela rotação usual será na região.

O Zapad (Oeste) 2021 promete um novo ponto de tensão com o Ocidente, assim como sua versão de 2017. Apesar de regular e previsto, ele inclui forças da Belarus, o que adicionará um tempero político ainda maior às manobras.

O Kremlin sustenta que elas são apenas de caráter defensivo, mas poucos no Ocidente acreditam, apesar da previsão de envio de observadores.

A todo esse caldo se soma a postura beligerante de Biden, que após fechar um acordo para estender o último tratado de limitação de armas nucleares com Putin entrou em uma rota crescente de colisão com o Kremlin.

Chamou o presidente russo de assassino e estabeleceu sanções devido à prisão do líder opositor Alexei Navalni, ocorrida após ele voltar da Alemanha de um tratamento após ter sido envenenado na Sibéria.

O verdadeiro foco de Biden ao se mostrar durão é a China, a quem o americano considera a verdadeira rival estratégica dos EUA. Só que seus atos levaram Putin a lembrar o Ocidente de suas capacidades, que ameaçam diretamente os interesses europeus, não menos porque eles dependem do gás e do petróleo russos.

Além disso, embora seja uma aliança historicamente desconfiada, houve uma maior aproximação entre Moscou e Pequim, levando a especulações se a protagonista da primeira Guerra Fria poderia se unir à antagonista americana na Guerra Fria 2.0 em ações conjuntas de desestabilização.

Conhecedor como poucos dos símbolos do poder internacional, Putin usa o anúncio como aperitivo de sua disposição para o encontro do dia 16 com Biden em Genebra, marcado a pedido do americano.

Noticias:https://www.noticiasaominuto.com.br/mundo/1809959/putin-anuncia-20-novas-bases-militares-para-enfrentar-forcas-da-otan

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Diplomatas Russos são expulsos de embaixadas europeias.

 Ministério das Relações Exteriores da Rússia na Praça Smolenskaya-Sennaya, Moscou

Alemanha, Polônia e Suécia expulsam diplomatas russos de suas embaixadas

Em medida de resposta à expulsão de seus diplomatas de Moscou, Alemanha, Polônia e Suécia declararam diplomatas russos como "personae non gratae" nesta segunda-feira (8).

Anteriormente, um trio de diplomatas da União Europeia - Polônia, Alemanha e Suécia, respectivamente - foram expulsos da Rússia após participação de comícios não autorizados de apoio ao opositor russo Aleksei Navalny.

Ao comentar a expulsão dos diplomatas europeus por Moscou, o Ministério das Relações Exteriores alemão afirmou que a medida "não se justifica de forma alguma".

"O Ministério das Relações Exteriores declarou hoje 'persona non grata' um funcionário da embaixada russa em Berlim", disse a chancelaria alemã em um comunicado. 

 Panorama de manifestação de apoio ao oposicionista Aleksei Navalny em Moscou, Rússia, 23 de janeiro de 2021

Uma série de protestos não autorizados de apoio ao opositor russo Alekei Navalny foram realizados nas últimas semanas em várias cidades da Rússia em meio à decisão da Justiça da Rússia de substituir a pena suspensa de três anos e meio de Navalny por uma pena efetiva.

"O diplomata alemão estava apenas cumprindo sua tarefa de informar sobre os acontecimentos no local de maneira legal", acrescentou o comunicado do Ministério das Relações Exteriores alemão

Na semana passada, a representante oficial da chancelaria da Rússia, Maria Zakharova, declarou que Moscou não teve outra escolha a não ser expulsar os diplomatas europeus que estavam interferindo nos assuntos internos da Rússia ao participarem de protestos não autorizados.

Noticias:https://br.sputniknews.com/europa/2021020816918713-alemanha-polonia-e-suecia-expulsam-diplomatas-russos-de-suas-embaixadas/

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Médicos russos descartam veneno, e entorno de opositor de Putin acusa Governo de esconder provas


 Médicos russos descartam veneno, e entorno de opositor de Putin acusa Governo de esconder provas 

Aliados de Alexei Navalni dizem que equipe na Sibéria não permite transferência do líder oposicionista, em coma desde quinta, para hospital na Alemanha 

O líder oposicionista russo Alexei Navalni permanece em coma num hospital de Omsk, na Sibéria, apesar dos apelos da sua família para que seja levado a outro centro médico. Ele foi internado na quinta-feira após beber um chá supostamente envenenado. Pessoas próximas do ativista acusaram nesta sexta o Kremlin de impedir a saída de Navalni do hospital siberiano, apesar de uma UTI médica estar no aeroporto local à espera de poder levá-lo para uma clínica em Berlim. Os médicos russos, por sua vez, afirmam não ter encontrado “rastros de veneno” nos exames feitos no paciente, que “continua instável e não é transportável” neste momento, segundo o diretor-médico do hospital de Omsk, Alexandr Murakhovski. Ele acrescentou que foram encontrados traços de substâncias químicas industriais em seus dedos e em sua roupa e que ele recebeu o diagnóstico de uma doença metabólica causada por um baixo índice de açúcar no sangue. 

“Estão ocultando as provas [de seu envenenamento]”, denunciou a porta-voz do ativista, Kira Yarmysh, que acusa os médicos de Omsk de terem sido incapazes de determinar a substância com a que foi envenenado, e que apesar disso não permitem que seja transportado para a Alemanha. Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, manifestou o desejo de rápida recuperação de Navalni e acrescentou que o Governo de Vladimir Putin não se opõe a que o político seja tratado no exterior —pois inclusive convidou os médicos alemães que aterrissaram nesta manhã em Omsk a participarem da equipe que o atende no hospital siberiano. E, por outro lado, a secretaria da Saúde da província de Omsk informou que os médicos estão consultando especialistas que chegaram de Moscou especialmente para cuidar desse caso e, depois de uma avaliação, decidirão se é possível transportar o paciente. 

Os partidários de Navalni e sua esposa Iulia —que na noite de quinta foi autorizada a entrar no quarto onde Navalni está conectado a um respirador— querem que ele seja tratado no exterior. Foi a fundação Cinema for Peace, do produtor cinematográfico e defensor de direitos humanos Jaka Bizilj, que enviou da Alemanha uma aeronave com UTI, que pousou por volta das 2h (hora de Brasília) no aeroporto do Omsk com a intenção de transportar o ativista para a clínica alemã Charité. 

Comissão Europeia (Poder Executivo da UE) pediu nesta sexta-feira a Moscou que permita rapidamente a transferência dele e uma investigação sobre o suposto envenenamento. “Esperamos uma investigação rápida, independente e transparente e, se os fatos forem confirmados, os responsáveis devem prestar contas”, declarou uma porta-voz da Comissão em uma entrevista coletiva. “Confiamos em que as autoridades russas cumprirão suas promessas de permitir que Navalni seja transferido de maneira segura e rápida ao exterior para receber tratamento médico de acordo com os desejos de sua família”, acrescentou a nota. Alemanha e França já tinham oferecido na quinta-feira “toda a ajuda médica” necessária. A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, declarou-se “comovida”, e o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou estar “extremamente preocupado”. Ambos tinham pedido “clareza” e “transparência” sobre seu estado. “Naturalmente, é uma decisão política, não médica. A vida de Alexei corre um grande perigo”, sentenciou no Twitter o também opositor Leonid Volkov. 

Apesar dos resultados dos exames, Ivan Zhadov, porta-voz da Fundação Anticorrupção (FBK), a ONG fundada por Navalni, afirmou às portas do hospital de Omsk que os médicos do centro lhe tinham confirmado a presença de um veneno “perigoso para ele e para os que o cercam”, embora não tenha detalhado de qual substância se tratava. Segundo o porta-voz, o nome do veneno é secreto por ser parte da investigação. Zhadov pediu à comunidade internacional que pressione as autoridades russas para que permitam a transferência de Navalni. “Atrasar o transporte pode provocar danos irreparáveis à vida e a saúde dele”, sentenciou. 

O entorno de Navalni atribui o envenenamento a um chá que ele tomou em um aeroporto siberiano antes de embarcar, como parte de uma viagem de apoio a candidatos eleitorais nessa região. Uma passageira que estava no mesmo voo que Navalni relatou ao site 5-tv.ru que antes de perder os sentidos ele começou a gritar com voz transtornada. “Todos se assustaram muito, eu comecei a chorar e tive um ataque de pânico. Deram-lhe vários tapas no rosto, e o piloto anunciou sua decisão de aterrissar de emergência em Omsk”, relatou. Uma vez em terra, chegou uma brigada de médicos que levou Navalni inconsciente. A passageira acrescentou que, enquanto o avião era reabastecido, as pessoas a bordo começaram a discutir acaloradamente sobre o incidente, e alguns gritaram: “Estava drogado! É uma overdose!”. 

Os partidários de Navalni estão convencidos de que foi envenenado, assim como ocorreu quando esteve preso (embora os médicos penitenciários tenham dito que se tratava de uma alergia). Poderia ter consumido alguma substância psicodisléptica (alucinógena), segundo algumas fontes, e outras especificam que poderia ter sido com oxiburato de sódio, que em determinadas doses produz efeitos semelhantes à droga ecstasy, mas que pode ser perigosa se a dose for muito elevada, induzindo ao estado de coma. 

Enquanto isso, Serguei Boiko, que encabeça os partidários de Navalni em Novosibirsk, disse que durante a visita dele a essa cidade percebeu que estava sendo seguido. Navalni tinha viajado às cidades siberianas de Novosibirsk e Tomsk para participar de campanhas eleitorais de correligionários seus. O político é o líder mais carismático da oposição extraparlamentar, que tem desempenhado um papel-chave nas manifestações contra o atual regime depois de todas as eleições feitas na Rússia. Além disso, Navalni durante anos encabeçou o Fundo de Luta contra a Corrupção, que periodicamente revelava as fortunas e bens imobiliários de funcionários públicos russos. As autoridades russas incluíram em 2019 esse fundo na lista agentes externos, o que implicava uma série de limitações ao funcionamento da organização. Isto, somado a vários julgamentos em que é réu, levaram a Navalni a anunciar a liquidação do fundo em junho passado e sua intenção de criar um novo organismo para continuar seu trabalho.