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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Um acaso a ser investigado e enfrentado.



Retaliação do EL?




O avião russo que caiu no sábado (31) no Sinai egípcio com 224 pessoas a bordo se despedaçou no ar antes de chegar ao chão, indicou o chefe dos especialistas aeronáuticos russos.

"O deslocamento ocorreu no ar e os fragmentos se espalharam por uma grande superfície de cerca de 20 km 2", declarou Viktor Sorotchenko, diretor do Comitê intergovernamental de aviação (MAK), citado pelas agências russas, indicando, contudo, "ser muito cedo para tirar qualquer conclusão".

O MAK lidera as investigações de catástrofes aéreas na Rússia. Desta forma, Sorotchenko participa da investigação da queda do voo 9268 da Metrojet no Egito ao lado dos investigadores franceses do BEA e alemães do BFU, representando o construtor Airbus, e egípcios.

A hipótese de o avião ter se despedaço durante o voo já era considerada a mais plausível pelos especialistas, dada a dispersão dos destroços.

As autoridades egípcias anunciaram no sábado que encontraram destroços e corpos em um perímetro que se estende ao longo de 8 km de raio, o que, segundo os especialistas, indica a priori que o Airbus A321-200 da empresa russa Metrojet não havia tocado o chão intacto, mas que se despedaçou ou explodiu em voo.

O raio das buscas foi estendido neste domingo a 15 km, segundo um oficial militar envolvido nas operações.

Caixas-pretas
Analistas egípcios começaram a examinar neste domingo (1º) o conteúdo das duas caixas pretas recuperadas do avião, e disseram que pode levar dias para recuperar os dados.

O Ministro dos Transportes russo, Maxim Sokolov, e um time de investigadores de alto nível do país chegaram ao Cairo, neste domingo para ajudar as autoridades egípcias a determinar o que causou o acidente. As 224 pessoas a bordo morreram.

O Airbur A321, operado pela companhia aérea russa KogalimAvia, mais conhecida como Metrojet, saiu de Sharm El-Sheikh, cidade no litoral do Egito, e seguia para São Petersburgo, na Rússia.
Ele caiu em uma área montanhosa logo após perder contato com os radares perto de alcançar a altitude de cruzeiro.

Investigadores russos vão considerar todos os cenários possíveis sobre porque o avião caiu, disse o porta-voz do Comitê de Investigação da Rússia em comunicado no site do comitê.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, afirmou que as investigações sobre as causas do acidente podem levar meses.

"Esse é um assunto complicado e exige tecnologias avançadas e investigações amplas que podem levar meses", disse ele a recrutas do Exército em um discurso televisionado neste domingo.

Estado Islâmico
O ramo egípcio do grupo jihadista Estado Islâmico (EI)
afirmou no Twitter ser o responsável pela queda do avião. Apesar da reivindicação do grupo, uma primeira análise do local do acidente indica que a queda poderia ter sido causada por uma falha técnica. O Ministro russo dos Transportes, Maxim Sokolov, disse à agência Interfax que a afirmação “não pode ser considerada exata”.

O presidente egípcio pediu para que todos esperem os resultados da investigação antes de evocarem possíveis razões para a tragédia.

"Nesse tipo de caso, é preciso deixar trabalhar os especialistas e não evocar as causas da queda do avião, porque isso está sendo investigado", declarou, citado pela agência de notícia Mena.

A Rússia decidiu intervir no conflito sírio para apoiar o governo de Bashar al-Assad, e afirma bombardear alvos do grupo o Estado Islâmico e outros grupos "terroristas" que se opõem ao poder.
Homem entrega flores no memorial improvisado para as vítimas do avião russo que caiu no Egito (Foto: Peter Kovalev/ Reuters)
 

(Foto: Peter Kovalev/ Reuters)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Nossos ancestrais anteriores



Por que sobrevivemos na Terra - e outros 'humanos' não.












Melissa Hogenboom Da BBC Earth




 Crânios de diferentes espécies de hominídeos, que durante certo tempo conviveram lado a lado



Há 2 milhões de anos, várias espécies hominídeos se espalhavam pela África. Algumas se pareciam muito entre si, enquanto outras tinham características mais marcantes.

Em setembro passado, outra espécie foi acrescentada a essa lista. Cientistas encontraram centenas de ossos em uma caverna na África do Sul que acreditam pertencer a um novo ser humano, o Homo naledi. E muitas outras espécies extintas ainda podem estar esperando para serem descobertas.

Nós, Homo sapiens, aparecemos há cerca de 200 mil anos, quando várias outras espécies também estavam vivas. Mas fomos a única a sobreviver até hoje. Como conseguimos?

Para começar, vale a pena destacar que a extinção é uma parte normal da evolução. Por isso, não é surpreendente que alguns hominídeos tenham desaparecido da Terra.


Virando carnívoros



Vestígios dos 'hobbits' (à esq.) foram encontrados apenas em uma pequena ilha da Indonésia.

Ainda não estar claro por que o mundo só tem lugar para uma espécie, mas há algumas pistas que revelam por que alguns de nossos antepassados foram mais bem-sucedidos do que outros em se adaptar a ele.

Há milhões de anos, quando uma grande variedade de hominídeos vivia lado a lado, eles se alimentavam essencialmente de plantas. "Não há indícios de que eles caçavam grandes animais sistematicamente", afirma o arqueólogo John Shea, da Universidade Stone Brook, em Nova York.

No entanto, conforme as condições mudaram e os hominídeos se deslocaram das florestas para as savanas - mais secas e com vegetação menos densa -, foram se tornando cada vez mais carnívoros.

O problema é que suas presas também tinham menos plantas para se alimentar, portanto havia menos comida disponível. Essa competição acabou levando à extinção de algumas espécies.

Há 30 mil anos, além do Homo sapiens, havia outras três espécies de hominídeos: o homem de Neandertal na Europa e no oeste da Ásia, o hominídeo de Denisova na Ásia e o Homo floresiensis, também chamado de hobbit, na Ilha das Flores, na Indonésia.

Os hobbits podem ter sobrevivido até pelo menos 18 mil anos atrás, quando teriam sido extintos por causa de uma grande erupção vulcânica, segundo evidências geológicas recolhidas na região.

Cientistas sabem muito pouco sobre o hominídeo de Denisova, pois tudo o que se encontrou até hoje de um exemplar da espécie foi um pequeno osso de um dedo e dois dentes.

Já o homem de Neandertal foi mais estudado, tanto por ter sido descoberto há mais tempo como porque há uma grande quantidade de fósseis da espécie.


Mudança climática

As evidências arqueológicas sugerem que o homem de Neandertal perdeu terreno para os humanos modernos, segundo Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.

Os neandertais foram deslocados de seu habitat pouco depois de terem seus territórios invadidos pelo Homo sapiens, o que para Hublin não é mera coincidência.

O homem de Neandertal já vivia na Europa 200 mil anos antes da chegada do Homo sapiens ao continente. Eles estavam perfeitamente adaptados ao clima frio: usavam roupas, eram ótimos caçadores e usavam sofisticadas ferramentas de pedra.

Estudiosos acreditam que a espécie começou a sofrer para sobreviver quando a Europa passou a experimentar uma rápida mudança climática. A temperatura mudou o habitat, tornando-o menos denso, e o homem de Neandertal não conseguiu adaptar seus hábitos para sobreviver.

O Homo sapiens, já adaptado ao clima das savanas africanas, caçava uma ampla gama de espécies, de grandes aves a lebres e coelhos.

Já os neandertais usavam armas e ferramentas mais apropriadas para animais maiores, e possivelmente não conseguiam apanhar presas menores.

"Os humanos modernos tinham mais recursos quando eram pressionados", afirma John Stewart, paleontólogo da Universidade de Bournemouth, na Grã-Bretanha. Essa capacidade de inovar e se adaptar pode explicar por que tomamos o lugar do homem de Neandertal tão rapidamente.


A importância da arte
Os registros arqueológicos mostram que quando o Homo sapiens chegou à Europa, ele já tinha uma variedade bem maior de utensílios inovadores e mortais.

Mas isso não foi a única coisa que a espécie fazia. Ela criou algo que permitiu superar as outras espécies na Terra: a arte simbólica.

Pouco depois de deixarem a África, os humanos modernos já dominavam a arte e o artesanato. Arqueólogos encontraram ornamentos, joias, pinturas figurativas de animais míticos e até instrumentos musicais que datam dessa época.

"Ao chegar à Europa, a população de Homo sapiens aumentou rapidamente", explica o arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, na Alemanha. "Com isso, começou a viver em unidades sociais mais complexas e precisou melhorar a maneira como se comunicava."

Esculturas e outros objetos sugerem que o homem moderno compartilhava informações através da arte. Os símbolos eram uma espécie de "cimento social". "Eles ajudavam as pessoas a organizar seus negócios sociais e econômicos entre si", afirma Conard.

Para Shea, o fato de o Homo sapiens dominar a arte, usando as mesmas mãos com que fabricava armas e ferramentas, mostra sua capacidade singular para uma variedade comportamental.

"Os humanos modernos sempre encontraram mais de uma maneira de fazer algo. E as soluções que imaginavam para um problema costumavam ser adaptadas para resolver outro", explica o arqueólogo. Já os demais hominídeos não variavam o jeito de lidar com as situações.


Diferenças cerebrais
Uma das explicações para essa diferença poderia estar no tamanho do cérebro. Mas, na realidade, neandertais também tinham cérebros grandes em comparação a seus corpos.

Segundo Hublin, a resposta é mais complexa. Sabemos que nosso comportamento ou as circunstâncias em que nos encontramos podem mudar nossa constituição genética. Essas mudanças nos genes também ocorrem quando grandes populações enfrentam desastres devastadoras, como a Peste Negra, no século 14.

Para o arqueólogo, os humanos modernos se beneficiaram de modificações genéticas essenciais. Hoje há evidências que sugerem que nosso DNA mudou depois que nos separamos do ancestral comum que temos com os neandertais.

Geneticistas identificaram dezenas de pontos no nosso genoma que são únicos do Homo sapiens, e vários deles estão envolvidos no desenvolvimento cerebral.

Outros especialistas acreditam que foi esse cérebro hiper-sociável e cooperativo o que nos diferenciou das outras espécies. Da linguagem e da cultura à guerra e ao amor, nossos comportamentos mais típicos sempre têm um componente social.

"Por dezenas de milhares de anos, antes de desenvolverem essas habilidades, os humanos modernos e os outros hominídeos eram mais parecidos, e qualquer espécie poderia ter prevalecido", afirma Conard. "Mas nós acabamos superando o resto e, ao ter uma população maior, as demais se retraíram e acabaram desaparecendo."

Se isso for verdade, a chave da nossa sobrevivência pode ter sido a criatividade.

Mas há ainda outra possibilidade, que não pode ser ignorada: talvez tenhamos continuado na Terra por pura sorte.

Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Earth.