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sábado, 26 de setembro de 2015

Alimentos na Europa



Tempo seco ameaça safra de grãos de 2016 na Ucrânia e Rússia
Prashanth Vishwanathanan/Bloomberg 



Plantação de trigo
Pavel Polityuk e Polina Devitt, da REUTERS
Kiev/Moscou - O tempo seco está ameaçando a safra de grãos de 2016 na Ucrânia e na Rússia, ambos grandes exportadores de trigo do Mar Negro que estão atualmente semeando sua colheita de inverno, disseram analistas e meteorologistas. 

Autoridades esperam que a área total para os grãos de inverno permaneça estável na comparação com o ano anterior na Ucrânia, em 7,4 milhões de hectares, e que aumentem em 300 mil hectares para 17,1 milhões de hectares na Rússia. 

A maioria das sementes na Ucrânia foram plantadas em solo seco por causa da seca que atinge as regiões central, do Leste e Sul e observadores temem que a falta de umidade possa prejudicar as safras de trigo e cevada de 2016. 

"Nas regiões do Sul e do Leste, onde o período sem chuvas durou mais de um mês, condições muito desfavoráveis para o reabastecimento da umidade do solo foram observadas nos campos para a semeadura das safras de inverno", disse a consultoria UkrAgroConsult.

"Se não houver tempo suficiente de semeadura, as chances de que os cultivos cheguem ao inverno subdesenvolvidos e fracos aumentam."

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A velha Europa se renova



Suíça conclui a perfuração do túnel mais longo do mundo,
com 53 km de extensão até a Itália
Túnel de Base de Gothard foi construído a dois mil metros abaixo do solo nos Alpes Suíços para abrigar instalações ferroviárias
Kelly Amorim, do Portal PINIweb





Após 15 anos desde o início das obras, foram concluídos na última semana os serviços de perfuração do Túnel de Base de Gothard, nos Alpes Suíços, com 57 km de extensão. A estrutura, que abriga instalações ferroviárias e liga as cidades de Zurique, na Suíça, e Milão, na Itália, desbancou o Seikan Tunnel, no Japão, com 53 km, e é agora o maior túnel do mundo.
O empreendimento, que foi construído a dois mil metros abaixo do solo para modernizar o túnel já existente de 15 km de extensão, está orçado em mais de 12 bilhões de francos suíços, o equivalente a 12,58 bilhões de dólares.
A partir de 2016, quando entrará em operação, o túnel poderá receber até 300 comboios, sendo que os comboios de passageiros poderão circular a uma velocidade de 250 km por hora, e as composições de carga atingirão 160 km por hora, o dobro da velocidade atual.
A previsão é de que a viagem entre Zurique e Milão seja feita em menos de duas horas. Segundo a estatal suíça CFF, mil pessoas serão selecionadas em janeiro para fazer a primeira viagem no novo túnel.
As obras mobilizaram 2.500 trabalhadores diretos, sendo que oito foram mortos em acidentes durante os trabalhos.


sábado, 12 de setembro de 2015

AVIÕES BRASILEIROS

Berçário de aviões
Brasil tem cerca de 20 fábricas de pequenas aeronaves, que investem em inovações e na colaboração com universidades para crescer













YURI VASCONCELOS | ED. 234 | AGOSTO 2015




Túnel de vento para testes na UFMG e desenhos de aeronaves feitos por alunos da universidade
Em maio deste ano, pela primeira vez no Brasil, um avião elétrico tripulado voou, colocando o país no seleto grupo de nações que dominam a tecnologia de fabricação de aeronaves elétricas. O voo aconteceu em São José dos Campos, cidade paulista que abriga o maior polo aeronáutico do país e é sede da Embraer, terceira maior fabricante mundial de jatos comerciais de passageiros. O Sora-e pertence à ACS-Aviation, uma das cerca de 20 empresas brasileiras que se dedicam à fabricação de pequenos aviões classificados pela Agência Nacional de Aviação (Anac) como experimentais ou aeronaves leves desportivas. Essas últimas, uma subcategoria dos experimentais criada pela Anac em 2011, são conhecidas pela sigla LSA, de light sport aircraft, e podem ser vendidas completas, enquanto os experimentais de construção amadora são aeronaves leves, não homologadas, que vão para o mercado em forma de kits e precisam ter 51% de sua montagem feita pelo comprador, normalmente um piloto privado.

Metade dos fabricantes desses aviões está localizada no interior de São Paulo, enquanto os outros se espalham por Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina, Paraná e Bahia. O Brasil tem o segundo maior mercado global de aviões experimentais, só superado pelos Estados Unidos. Segundo dados da Anac, existiam no país 4.958 aeronaves desse tipo em 2013. Principalmente destinados a pilotos amadores que querem voar em equipamento próprio, esses aviões são usados para lazer, recreação ou transporte pessoal, e não podem ser empregados em qualquer atividade comercial. “O Brasil é um país com dimensões continentais que comporta essa variação de aviões para atender às mais diversas necessidades”, explica Humbert Peixoto Silveira, presidente da Associação Brasileira de Aviação Experimental (Abraex). Os aviões experimentais custam a partir de R$ 50 mil, enquanto os LSA – os esportivos – saem até por R$ 750 mil.

Sora-e, primeiro avião elétrico fabricado no Brasil
Apesar do porte pequeno e da capacidade limitada a dois ou quatro ocupantes, segundo Humbert, os experimentais são veículos tecnologicamente avançados. “No mundo todo, a aviação experimental funciona como um laboratório para as grandes fábricas de aviões, como Airbus, Boeing e Embraer. Esses aparelhos nascem de projetos inovadores em termos de estrutura e aerodinâmica, são construídos a partir de técnicas aprimoradas de fabricação, utilizam novos materiais em sua estrutura e são equipados com aviônicos [equipamentos elétricos e eletrônicos dos aviões] digitais e motores potentes, que podem levar alguns modelos a voar a mais de 300 quilômetros por hora [km/h]”, diz.

O voo do Sora-e coroou dois anos de trabalho do engenheiro aeronáutico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Alexandre Zaramella, sócio-diretor da ACS-Aviation, empresa localizada em São José dos Campos (ver Pesquisa FAPESP nº 228). “Existem no mundo meia dúzia de companhias focadas no desenvolvimento de aviões elétricos. E nós somos uma das poucas com um aparelho testado em voo”, diz ele. O desenvolvimento do Sora-e – uma versão do principal modelo da ACS-Aviation, o Sora com motor a combustão – teve a parceria do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Montagem de Veículos Movidos a Eletricidade da Itaipu Binacional e recebeu uma subvenção de R$ 500 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destinada à criação de um sistema elétrico para aeronaves. O avião tem dois motores elétricos de 35 quilowatts (kW) cada um, alimentados por um conjunto de seis baterias de lítio íon polímero de 400 volts, que podem manter a aeronave no ar por até uma hora e 30 minutos.

Super Petrel LS: pouso e decolagem na água e na terra

Materiais compostos

Na aviação hoje procura-se utilizar compósitos – ou materiais compostos, como metal e polímero, carbono e vidro – na fabricação da estrutura das aeronaves, em substituição ao alumínio aeronáutico, em razão do baixo peso e da elevada resistência desses novos materiais. A empresa europeia Airbus, por exemplo, entregou em janeiro deste ano para a Qatar Airways o primeiro jato da companhia com asas e fuselagem feita de polímeros reforçados com fibra de carbono, o A350 XWB, com capacidade para 366 passageiros.

Outro fabricante brasileiro de aviões leves esportivos que recorreu a compósitos foi a Scoda Aeronáutica. Localizada em Ipeúna, a 195 quilômetros de São Paulo, a companhia fabrica o Super Petrel LS, um avião anfíbio (que pousa e decola tanto da água como da terra) que é um sucesso no exterior. “Já produzimos 350 unidades do Super Petrel LS e do Super Petrel 100, seu antecessor. Eles foram vendidos para 23 países e temos clientes em outros quatro prestes a receber suas encomendas”, conta Rodrigo Scoda, dono da empresa. O Super Petrel custa a partir de R$ 350 mil.

Engenheiro aeronáutico graduado na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), em São Carlos, Scoda ressalta que o sucesso de seu avião se deve, em boa medida, ao fato de ser certificado nos Estados Unidos e em outros países na categoria LSA. “Projetamos o Super Petrel LS com a norma do FAA [Federal Aviation Administration] na mão. Essa foi a maneira que encontramos de fabricar um produto global”, afirma. O FAA é o órgão dos Estados Unidos responsável pela regulamentação da aviação civil. Suas normas servem de modelo para vários países, inclusive o Brasil.

Produzido com um compósito constituído de fibra de carbono e fibra de aramida (kevlar), o Super Petrel LS foi inspirado no avião anfíbio francês Hydroplum, dos anos 1980. A Scoda é responsável por 81% de seu processo produtivo e apenas as partes mecânicas são importadas. Um aspecto incomum do processo de desenvolvimento e certificação do Super Petrel LS foi o fato de 90% ter sido feito por estagiários do 4o e 5o anos do curso de engenharia aeronáutica da EESC-USP. “Sempre que possível, trabalhamos em parceria com universidades. Três de nossos oito engenheiros foram formados na EESC”, diz Scoda. A equipe de colaboradores da empresa é constituída por 100 profissionais, entre técnicos, engenheiros, mecânicos, pilotos e administradores.




Monomotor Quasar: 60 aviões vendidos

domingo, 23 de agosto de 2015

Futebol sem corrupção, a credibilidade da velha arte é desafiada.

Fifa prefere não enumerar
casos de corrupção no futebol



Por Redação, com agências internacionais – de Zurique
O comitê de ética independente da Fifa preferiu, em entrevista a jornalistas, neste sábado, não enumerar quantos casos de corrupção está investigando, após denúncias que levaram a prisão diretores e empresários ligados à instituição que coordena o futebol, no mundo. Segundo dirigentes, a Federação está analisando “muitos casos de suposta corrupção”. O objetivo é acelerar as investigações e antevê expulsões vitalícias para todos os crimes, com exceção dos menos graves, segundo uma fonte familiarizada com o assunto falou à agência inglesa de notícias Reuters.

O FBI está investigando suborno e corrupção na Fifa
Os investigadores estão observando três áreas: casos relacionados aos processos seletivos das Copas do Mundo de 2018 e 2022, a distribuição e o uso de fundos de desenvolvimento e partidas cujos resultados seriam pré-arranjados, o que a fonte descreveu como a “grande história” do futebol. Os membros do comitê de ética afirmam que os dias em que os corruptos podiam contar com afastamentos de meros três meses acabaram, disse a fonte à Reuters.
– Há muito mais casos do que as pessoas imaginam, e eles estão determinados a ir atrás deles, fiquem preparados – declarou a fonte.
As investigações são separadas do inquérito suíço sobre a concessão dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Catar, que negam qualquer irregularidade, e do inquérito norte-americano, que indiciou 14 pessoas, incluindo ex-dirigentes da Fifa, acusados de lavagem de dinheiro e extorsão.
Ao contrário do que ocorre nos dois inquéritos, os investigadores da Fifa não têm poderes de polícia. Embora a suspeita de corrupção entre funcionários graduados da entidade tenha atraído a atenção da mídia e preocupado patrocinadores, acredita-se que os membros do comitê de ética da Fifa encaram as partidas arranjadas como a maior ameaça ao esporte, além de ser a mais difícil de combater.

– As partidas arranjadas são a grande história no momento – disse a fonte, acrescentando que trata-se de um crime que ultrapassa as fronteiras do esporte e precisa da colaboração das autoridades públicas de todo o mundo.

sábado, 25 de abril de 2015

Ordem e controle na arcaica cultura brasileira

Ordem e Progresso

NA RECEITA geral dos políticos brasileiros, o positivismo é um ingrediente deviante, que maturou na qualificação perversa da nossa sociedade. é um interessante estudo do Prof. Sêga.  
Mais do que um simples lema na bandeira, as idéias positivistas de Augusto-Comte impregnaram a nascente República brasileira.
por Rafael Augusto Sêga



Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1836-1891) como ministro da Instrução Pública reformulou todo o ensino brasileiro de acordo com as idéias de Augusto-Comte.
Descrição: http://www2.uol.com.br/historiaviva/img/px_branco.gif
  A verdade, meu amor, mora num poço, / É Pilatos, lá na Bíblia quem nos diz, / E também faleceu por ter pescoço, / O (infeliz) autor da guilhotina de Paris. / Vai, orgulhosa, querida, / Mas aceita esta lição: / No câmbio incerto da vida, / A libra sempre é o coração, / O amor vem por princípio, a ordem por base, / O progresso é que deve vir por fim, / Desprezaste esta lei de Augusto Comte, / E foste ser feliz longe de mim.






Este trecho do conhecido samba de Noel Rosa e Orestes Barbosa, Positivismo, de 1933, demonstra a presença da filosofia positivista no meio cultural mais popular do Brasil, a música, ao retratar uma amada que transgrediu o fundamento básico de tal filosofia. Não obstante, essa corrente de pensamento também se faz presente no dístico de nosso maior símbolo pátrio, a bandeira: Ordem e Progresso. É curioso, mas a tentativa mais efetiva de colocar em prática a doutrina positivista, uma ideologia tipicamente francesa, foi realizada em um país latino-americano: o Brasil.

Como isso aconteceu?
A pergunta exige o conhecimento de certos aspectos das origens e dos fundamentos do pensamento positivista ainda na França no século XIX, para mostrar sua chegada e ascendência sobre o pensamento brasileiro dentro do contexto histórico e cultural da época.

O avanço científico europeu do início do século XIX, decorrente da Primeira Revolução Industrial, fez com que o homem acreditasse em seu completo domínio da natureza. O positivismo surgiu nessa época como uma corrente de pensamento que apregoava o predomínio da ciência e do método empírico sobre os devaneios metafísicos da religião.
Nesse sentido, o movimento intelectual erigido por Isidore-Auguste-Marie-François-Xavier Comte, ou simplesmente Auguste Comte (1798-1857), defendia que todo saber do mundo físico advinha de fenômenos "positivos" (reais) da experiência, e eles seriam os únicos objetivos de investigação do conhecimento.

Comte sustentava a existência de um campo de ação, no qual as idéias se relacionavam de forma lógica e matemática e, por fim, toda investigação transcendental ou metafísica que não pudesse ser comprovada na experiência deveria ser desconsiderada.

As raízes do positivismo são atribuídas ao empirismo absoluto de David Hume (1711-1776), que concebia apenas a experiência como matéria do conhecimento e também a Ilustração, ou Iluminismo, que apregoava a razão como base do progresso da história humana.

Dessa forma, o positivismo é fruto da consolidação econômica da revolução pela burguesia, expressa nas Revoluções Inglesa do século XVIII e Francesa de 1789. As ciências empíricas passaram a tomar frente às especulações filosóficas meramente idealistas e Comte buscou a síntese do conhecimento positivo da primeira metade do século XIX, especialmente da física, da química e da biologia.
Seu objetivo era a formulação de uma "física" social (a "sociologia") que reformulasse o quadro social instável decorrente das novas relações de trabalho do capitalismo industrial.

Na primeira fase de seus trabalhos, Comte teve como mentor o teórico do socialismo utópico, o conde de Saint-Simon (Claude-Henri de Rouvroy, 1760-1825). Em sua obra Curso de filosofia positiva (1830-1842), Comte expõe a base de sua doutrina cujos alicerces teóricos estão assentados na norma de três estados do desenvolvimento humano e do conhecimento, o teológico, o metafísico e o positivo.


Na fase teológica o ser humano entende o mundo a partir dos fenômenos da Natureza dando a eles caráter divino. Essa fase encerra-se no monoteísmo. Na fase metafísica, a interpretação do mundo é calcada em conceitos abstratos, idéias e princípios.

Por fim, na fase positiva o ser humano limita-se a expor os fenômenos e a fixar as relações constantes de semelhança e sucessão entre eles. Nessa fase, as causas e as essências dos fenômenos são deixadas de lado para se evidenciarem as leis imutáveis que nos regem, pois o conhecimento destina-se a organizar e não a descobrir.

O fim da filosofia é a organização das ciências, hierarquizadas, segundo Comte, em seis. Na base dessa pirâmide está a matemática, seguida da astronomia, física, química, biologia e sociologia. Em outra obra sua, Discurso sobre o conjunto do Positivismo (1848), Comte parte das feições reais do termo "positivo" para atingir uma significação moral e social maior, a fim de reorganizar a sociedade, com a supremacia do amor e da sensibilidade sobre o racionalismo.
O apogeu dessa tese é a religião da humanidade. A filosofia positiva passa, então, a preconizar também uma teoria de reforma da sociedade e uma religião. A unidade do conhecimento positivo passa a ser coletiva em busca da fraternidade universal e da convivência em comum. A junção entre teoria e experiência é baseada no conhecimento das ações repetitivas dos fenômenos e sua previsibilidade científica.

Assim, é possível o aprimoramento tecnológico. O estágio positivo corresponde à atividade fabril e à transformação da natureza em mercadorias. Se entendermos a ciência como a investigação da realidade física, o positivo é o objeto e o resultado dessa investigação. Dessa forma, a sociedade também é passível dessa análise e a fase positiva será caracterizada pela passagem do poder político para os sábios.

Fragmentação do pensamento
A segunda fase dos trabalhos de Comte é representada em sua obra Sistema de política positiva (1851, 1854), que preconiza a "religião da humanidade", cuja liturgia é baseada no catolicismo romano, estabelecida em O catecismo positivista (1852).

Destarte, a doutrina positivista adquire feição religiosa com credo na ciência. Essa divisão do pensamento comteano também separou seus seguidores em duas correntes: os ortodoxos, que seguiram Comte em seu período religioso; e os heterodoxos, que se conservaram perseverantes ao período científico e filosófico do positivismo.
CONTINUA...

domingo, 5 de abril de 2015

Brasil e seu trágico apartheid

BRASIL: UM ESTADO NACIONAL E SEU EXERCITO LIVRE PARA MATAR
Seletivamente, apenas negros e pobres. Na América do Sul, quintal dos EUA.




http://angorussia.com/comunidade/estudantes-angolanos-espancados-por-policiais-no-brasil-apos-reagirem-a-provocacoes-racistas/ 

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Paulo Souza REVOLTANTE. Lembro meu querido amigo Mosses, nigeriano que estudou comigo na UFMG em Belo Horizonte. Viera estudar no Brasil porque lhes disseram que aqui não havia racismo. Todos os meus dezenas de colegas africanos, apesar de ricos eram duramente discriminados por professores, colegas e outros. Como negro, único brasileiro entre eles na universidade - porque por aqui até a educação é elemento de segregação, fazia o que podia para amenizar a estadia deles. A ONU e a comunidade internacional precisa se posicionar quanto a crueldade do APARTHEID BRASILEIRO, que localmente chamamos de RACISMO AMBIENTAL. HA espaços que sabemos não serem possível transitar. E a universidade é um desses espaços. O estado brasileiro é racista, segregador. Usa sua policia despreparada , covarde e racista para agredir e matar os não brancos. Ainda bem que não mataram nenhum deles. Estão vivos. A guerra entre não brancos e brancos é fomentada diariamente pela mídia, pelas igrejas protestantes, pelas milícias das favelas. É uma situação que os números da violência do estado indicaram claramente o caminho do enfrentamento quando cansarmos de ver nossos filhos mortos pela policia brasileira - são 58 mil assassinatos por ano. Tecnicamente estamos enfrentando já esta guerra. LAMENTO PROFUNDAMENTE O OCORRIDO com meus irmãos africanos. Isto tem que parar um dia.
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Muito covarde esta postagem. É fechar os olhos para a barbárie que o Brasil vive. O estado brasileiro mata crianças. Isto sim, é preocupante. Agora o maior agravante é que são sempre e sempre crianças negras e pobres. Uma vergonha para quem tentou mostrar um outro lado, como uma justificativa para o injustificável. Fake. Mal.

Desculpe não quero ofender, tem liberdade de opinião, preservemos. Mas precisa ter responsabilidade. Então os meios justificam os fins? Matar, matar sempre? Não tem filhos? Vejo que você não é tão branco, a ponto de estar acima de qualquer suspeita. Deveriam se preocupar com a possibilidade de amanha ser um dos seus, a vitima. Não é matando, é perdoando que alcançamos a redenção. O Brasil precisa mudar, precisamos mudar esta cultura de morte. Acompanho suas postagens e percebo que você não é do mal, é uma pessoa boa externando uma opinião, apenas isto. Mas devemos ter cuidado com nossas opiniões quando podemos influenciar os outros negativamente. a morte de uma criança por forças policiais devem ser sempre e sempre condenáveis. Não estamos sozinhos

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ESTES são os textos que escrevi no face hoje. São reflexos. De uma longa historia de vida que teimo em esquecer. E que nem posso esquecer, porque esta historia trago na pele negra que tenho. Herança da diáspora africana. Apesar dos avós europeus.

Uma noite, sai com meu irmão para jogar futebol num bairro novo, onde não era nosso costume ir. Há uns 40 anos. Este meu querido irmão morreu há  32 anos. O apartheid brasileiro o matou. Saímos, não fui a aula e fomos para a quadra. Lá jogamos uma partida ruim e voltamos. Meu querido  irmão, um negro jovial, forte e disposto, começara a ter problemas na rua. Era muito tímido, inteligente. Assim, quase correndo para voltar a parada do ônibus, ele ficou para trás. Eu estava adiantado uns dois quarteirões.  Senti um aperto no peito e olhei para trás. Naquela rua deserta, num bairro deserto, eram umas 22 horas apenas, deparo com a pior das cenas. Um carro de policia saído do nada enquadrava meu irmão. Ele. Com sua mochila de jogador de futebol as costas e um cacho de mamonas nas mãos. Avistara a mamona num lote vago e parara para tirar algumas pelotas e brincar. Um policial negro lhe apontava uma arma. Não pensei, não deu tempo. Me atirei correndo em direção a assustadora cena e agarrei meu querido irmão. O abracei totalmente e tremia, eu estava com muito medo e raiva.  O abracei e o tirei de cena. “É meu irmão, ninguém toca nele. O que fazem aqui, eu, nada, jogamos bola. Eu trabalho num banco.” E sai, agarrado ao meu irmão, morreria por ele, não tenho duvidas. Ficamos calados muito tempo. Sabíamos da natureza da abordagem policial e tínhamos vergonha naquele tempo. Não tínhamos a compreensão de hoje, tão clara, brutal, desumana. Havíamos invadido território proibido. Nas cidades brasileiras, todas elas, há espaços não permitidos para os de cor. Lojas, empreendimentos, igrejas, comercio, indústria, serviços. Não há garçons negros no Brasil. Pessoas saem de restaurantes quando chegam negros. A televisão brasileira é branca, pálida como na Europa. Não mostram negros. Pela televisão temos a impressão que há mais negros nos EUA do que aqui, no Brasil.



Apesar de sermos a maior nação negra fora da África, é como não existimos. Somos todos cidadãos invisíveis. Marcas como Dove, todas as cervejarias, O Boticário, Nestle, Coca Cola, P&G, Unilever, Gilete, Colgate e os maiores anunciantes do Brasil não querem negros em suas peças publicitarias.

Cannes que premia sempre as agencias brasileiras deveriam se envergonhar. Como são alienados e não deveriam merecer tanto respeito. Premiam as agencias mais racistas do planeta. Será que não percebem que nunca, nunca premiaram um filme brasileiro com um negro sequer? E somos, repito, a maior nação negra fora da África. Ao premiaram a propaganda racista das agencias brasileiras, premiam a discriminação, a segregação racial reflexo de 500 anos de escravidão. Esquecem seguramente, que nosso amado Brasil foi a ultima nação do mundo a abolir a escravidão.


Consumimos, somos cidadãos, apenas não nos enxergam. E como somos mal tratados. O APARTHEID SOCIAL, AMBIENTAL, ECONÔMICO E SOCIAL que nos negros brasileiros vivemos, é muito mais desumano e cruel que nos tempos do apartheid na África do Sul. Naquele tempo havia leis segregacionistas lá. Aqui, há leis que punem o racismo. Mas não adianta. Ninguém as aplica. O negro – vitima preferencial do estado brasileiro, com suas milícias e policia miliar orientada a segregar, isolar e matar pessoas de cor – travam uma luta de extermínio. Lutam para evitar o viés populacional – em 100 anos  não haverá brasileiros brancos. Exterminam agora meninos na melhor fase reprodutiva para reduzir o crescimento dos negros.


O mundo esta silenciosos quanto a este extermínio étnico. E nos deve. Empresas multinacionais que nos EUA não segregam, chegam ao Brasil e adotam a politica racial. Gigantes do  comércio como Wal-Mart, Cola Cola, Jeep, Chevrolet e tantas outras, se tornam tão  ou mais racistas que os brasileiros.  A comunidade internacional faz vistas grossas, fingem que não veem. Mas há o prenuncio de guerra civil no Brasil, pretos contra brancos. Agora é o momento da abordagem, é o momento da virada, se quisermos paz na América do Sul.